Era uma tarde ensolarada.

Havia música.

Pessoas conversando.

E adolescentes atravessando a festa com aquela sensação silenciosa de quem ainda está tentando descobrir o próprio lugar no mundo.

Foi então que eu o vi.

O primeiro garoto de quem gostei.

Durante muito tempo ele ocupou um espaço simbólico dentro de mim.

Não exatamente por quem era.

Mas pelo que representava:

o desejo de ser vista.

Escolhida.

Reconhecida.

Mas naquela tarde algo estava diferente.

Ele já não parecia tão bonito.

Ainda assim, ele se aproximou.

Me deu um beijo tímido no rosto.

Quase como se o tempo tentasse recriar uma cena que nunca chegou a acontecer de verdade.

Mas não havia urgência emocional naquela experiência.

Pouco depois alguém perguntou se eu era médica.

Respondi:

“Sou terapeuta.”

E completei quase sem pensar:

“Minha hora é mais valiosa que a de um médico.”

As pessoas ao redor silenciaram.

Algumas pareciam curiosas.

Outras incomodadas.

E naquele instante percebi algo estranho naquelas palavras.

Continuação da leitura abaixo

O Mascarado

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Dédina de Souza, Carmo do Rio Claro – 25/05/2026

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