Talvez a cachoeira seja, neste sonho, aquilo que não pode ser substituído por uma representação.
A Bússola 5π.
Talvez todos tenham algo em comum.
Não nasceram para dizer às pessoas o que devem enxergar.
Nasceram para convidá-las a olhar novamente.
Para dentro.
Para a própria história.
Para aquilo que existe antes das escolhas.
No sonho, encontrei uma sala cheia de pessoas usando óculos de realidade virtual.
A cachoeira estava ali.
Linda.
Perfeita.
Mas não era a cachoeira.
E talvez essa seja uma distinção importante.
Conhecer uma experiência não é o mesmo que vivê-la.
Assim como conhecer uma ideia sobre nós mesmos não significa que ela seja, necessariamente, quem somos.
Isso me fez pensar nas projeções que recebemos ao longo da vida.
Pais.
Família.
Escola.
Religião.
Relacionamentos.
Sociedade.
E, agora, também as telas.
Quantas vezes alguém nos entregou uma imagem de quem deveríamos ser?
Quantas vezes acreditamos nela?
Quantas escolhas nasceram dessa imagem?
Talvez algumas das nossas certezas nunca tenham sido exatamente nossas.
Talvez tenham sido construídas a partir dos olhos de outras pessoas.
E talvez reorganizar a própria vida comece justamente quando conseguimos perceber isso.
Não para culpar quem projetou.
Mas para separar aquilo que recebemos daquilo que escolhemos conservar.
Foi então que compreendi algo sobre o caminho que estamos construindo.
Não quero que a IDELI seja apenas uma vitrine.
Nem que os livros sejam apenas histórias.
Nem que o documentário seja apenas uma narrativa.
Quero que sejam portas.
Portas para uma experiência mais profunda.
Um lugar onde seja possível parar.
Ler.
Pensar.
Sentir.
Investigar.
Talvez seja por isso que o blog tenha encontrado seu lugar.
Um espaço para desacelerar.
Para sair, ainda que por alguns minutos, da velocidade das telas.
Porque talvez não seja necessário convencer ninguém de que existe uma realidade melhor.
Talvez seja suficiente ajudar alguém a perceber que a realidade que aprendeu a enxergar pode não ser a única possível.
E então a pergunta deixa de ser apenas minha.
Talvez seja sua também.
Quem você seria se retirasse, por alguns instantes, as lentes através das quais aprendeu a enxergar a própria vida?
Quais escolhas continuariam sendo suas?
Quais talvez tenham nascido das projeções de outras pessoas?
E, principalmente:
O que você realmente deseja viver?
A névoa veio.
Mas dessa vez não parecia esconder alguma coisa.
Talvez apenas me lembrasse que algumas coisas não precisam ser compreendidas imediatamente.
Algumas precisam ser vividas.
E talvez seja justamente isso que vem antes da escolha.
A coragem de olhar para a própria vida sem as lentes que alguém colocou sobre os nossos olhos.
Mas a pergunta continua:
O que veio antes da escolha?
Será que sua vida foi determinada por algo antes mesmo da sua escolha?
Se essa pergunta encontrou alguma coisa em você, continue a investigação.
Nos livros.
No documentário.
Continue sua reorganização.