Minha irmã, Rute.
Mas dessa vez havia algo diferente.
Um homem sem rosto a acompanhava.
Minha mãe tentava esconder tudo.
Meu pai tentava resolver.
Como sempre.
E então tudo desapareceu.
Restando apenas o homem sem rosto.
Ele entrou no carro comigo.
Com Eduardo.
E com minhas filhas.
Eu o levei junto.
Parei na esquina.
E um caminhão desgovernado tombou sobre o nosso carro.
Mas nós saímos intactos.
Ele não.
O homem sem rosto foi esmagado.
Fomos retirados do veículo.
E, de repente, o impacto virou outra coisa.
Pequenas patinhas afofando meus pés sob os cobertores.
Abri os olhos.
E então entendi algo.
Muitas vezes o que nos feriu já não existe mais.
Mas insistimos em carregar.
Não por amor.
Mas como tentativa de não reviver a dor.
Sem perceber que carregar a dor…
também pode ser uma forma silenciosa de repeti-la.
Talvez por isso algumas histórias pareçam continuar mesmo depois de terem acabado.
Mudam os cenários.
Mudam as pessoas.
Mas algo dentro continua esperando o mesmo desfecho.
E então seguimos tentando salvar.
Tentando antecipar.
Tentando impedir.
Como se vigilância pudesse impedir sofrimento.
Mas existe um momento em que algo muda.
Você percebe que não precisa mais carregar aquilo para continuar honrando o que viveu.
E percebe que deixar não é esquecer.
É parar de transportar.
Quando deixamos esse peso…
a vida volta a ficar leve.
E o amor deixa de ser defesa.
E volta a ser encontro.
Porque o que chamamos de passado nem sempre é passado.
Às vezes ele continua vivo através daquilo que seguimos repetindo em novos relacionamentos.
E então surgiu uma pergunta.
O que continua sendo carregado mesmo depois que acabou?
O que mudou em mim para eu deixar a necessidade de carregar a dor e a magoa do que me aconteceu na infância?
O que aconteceu antes da escolha?
Antes de repetir.
Antes de antecipar.
Antes de carregar dores antigas para histórias novas.
Foi então que percebemos, Eduardo e eu, que talvez exista um ponto invisível organizando tudo isso antes mesmo da decisão aparecer.
Nem sempre conseguimos enxergar isso enquanto estamos vivendo.
Mas isso não significa que ele não esteja conduzindo silenciosamente nossas escolhas.
Foi a partir dessa pergunta que surgiu a investigação que mudou tudo o que pensávamos que sabíamos.
Não como uma explicação sobre o passado.
Mas como uma forma de olhar para aquilo que antecede nossas escolhas.
E a pergunta que norteia todo nosso trabalho é:
“O que Veio Antes da Escolha?”
Existem duas formas de prosseguir a investigação e reorganização das suas escolhas:
Primeira maneira está no vídeo abaixo, essa investigação continua a partir da origem dessa pergunta.
A segunda maneira de prosseguir é no nosso Livro “Reorganizando o que Veio Antes da Escolha.”
O livro continua com os textos, análises e já acrescenta exercicios práticos do nosso Método para você iniciar a sua travessia e reorganização de vida.