A escuridão era densa.
Rastejei por um túnel.
Apertado.
Desconfortável.
Vi uma pequena luz ao fundo.
Aumentei a velocidade.
A luz conduzia a uma ampla galeria dentro da caverna.
Tochas douradas iluminavam as paredes úmidas e escorregadias.
O medo não desapareceu.
Apenas mudou de forma.
Agora era a busca por uma saída.
Enquanto caminhava, percebi:
Estava descalça.
Nua.
Tentei me proteger.
Algumas roupas apareceram dentro de um buraco no chão.
Abaixei-me para pegar uma blusa.
Colorida demais.
Estampada demais.
Grande demais.
Era da minha mãe.
Naquele momento, por não enxergar outra possibilidade, resolvi pegá-la.
Assim que toquei o tecido, um escorpião escondido entre as dobras me picou.
Olhei para baixo.
Do buraco começaram a surgir muitos outros.
Subiam lentamente pelas minhas pernas.
Cobriam meu corpo.
O pavor veio.
A paralisia.
A vontade de correr.
Mas também o medo congelante do novo.
Do desconhecido.
Os escorpiões continuavam subindo.
Já estavam na altura do meu pescoço.
Foi então que uma mulher se aproximou.
Retirou delicadamente os escorpiões.
Segurou minha mão.
Não para me tirar dali.
Não para me salvar.
Mas apenas para me lembrar de que eu não estava sozinha.
Depois desapareceu.
Continuei procurando uma saída.
Caminhei pela galeria.
Iluminando as paredes com a tocha.
Nenhuma abertura.
Nenhuma saída.
Apenas aquela pequena passagem que me levou até ali.
Mas que de alguma maneira eu carregava uma certeza:
Não mais voltaria para o pavor da floresta.
Continuei andando.
Certa altura havia um lago.
Escuro.
Negro.
Mesmo aproximando a tocha da superfície, eu não conseguia enxergar sua profundidade.
Nem o que existia sob aquelas águas.
Apenas uma luz distante no fundo.
Pensei:
“Talvez seja a saída.”
Deixei a tocha no chão.
Enchi-me de coragem.
E mergulhei.
Profundamente.
A água era gelada.
O ar começava a faltar.
A agonia de chegar até a abertura foi me invadindo.
Quando alcancei a luz.
Atravessei uma estreita passagem.
Saí da caverna.
Descalça.
Sem proteção.
Mas inteira.
O ar frio da madrugada me despertou.
Eram três horas da manhã.
A clareza veio de maneira simples.
Muitas vezes, a vida nos mantém dentro de estruturas que parecem seguras.
E, enquanto isso não é visto, nada muda verdadeiramente.
Tentamos mudar os relacionamentos.
O trabalho.
A cidade.
As estratégias.
Mas continuamos presos ao mesmo padrão.
Não por falta de força.
Mas porque ainda não enxergamos a estrutura que sustenta as nossas escolhas.
Sair da caverna.
Deixar o conhecido.
Mergulhar nas profundezas do lago negro.
Exige coragem.
E, muitas vezes, essa travessia começa pela dor.
Assim aconteceu comigo.
Durante muito tempo tentei voltar ao conhecido.
Aos moldes que aprendi na minha família.
Mas chega um momento em que permanecer também passa a ferir.
E as perguntas começam, mais uma vez, a ecoar de mim para você.
Será que você ainda permanece dentro da sua caverna?
Tentando sustentar um lugar desconfortavelmente conhecido?
E então surgiu uma pergunta.
O que em mim ainda veste aquilo que já não me protege?
O que acontece antes da escolha de permanecer dentro de uma estrutura que já não sustenta mais quem eu sou?
O que muda antes da saída?
Antes de tentar.
Antes de romper.
Antes de reorganizar o que parece externo, mas começa por dentro.
Foi então que percebemos, Eduardo e eu, que talvez exista um ponto invisível organizando tudo isso antes mesmo da decisão aparecer.
Nem sempre conseguimos enxergar isso enquanto estamos vivendo.
Mas isso não significa que ele não esteja conduzindo silenciosamente nossas escolhas.
Foi a partir dessa percepção que surgiu a investigação que atravessa todos esses textos.
Não como resposta.
Mas como forma de olhar para aquilo que antecede qualquer escolha.
E a pergunta que norteia todo nosso trabalho é:
“O que Veio Antes da Escolha?”
Será que nossa vida foi determinada por algo antes mesmo da nossa escolha?
Existem duas formas de prosseguir a investigação e reorganização das suas escolhas:
Primeira maneira está no vídeo abaixo, essa investigação continua a partir da origem dessa pergunta.
A segunda maneira de prosseguir é no nosso Livro “Reorganizando o que Veio Antes da Escolha.”
O livro continua com os textos, análises e já acrescenta exercicios práticos do nosso Método para você iniciar a sua travessia e reorganização de vida.