Continuei me arrumando.
Tênis brancos.
Blusa azul profundo.
Saia branca.
Havia água espalhada pelo chão da casa.
Peguei um rodo e comecei a empurrar aquela água para fora.
Como quem tenta reorganizar silenciosamente algo que já não deveria estar ali.
No meio disso encontrei duas baratas mortas.
Não senti medo.
Apenas a sensação de remover coisas que já não possuíam vida.
Mas ainda ocupavam espaço.
Depois algumas mulheres chegaram falando sobre o chão molhado.
Sobre o que deveria ter sido feito antes.
Eu apenas respondi:
“Está sob os seus pés.”
Mais tarde encontrei uma nota de cem reais escondida atrás da porta.
Quando tentei pegá-la, um dos homens se aproximou.
Como se aquilo também pudesse ser negociado.
Mas não negociei.
Peguei o dinheiro.
E disse apenas:
“É meu.
Está na minha casa.
A porta está aberta.
Mas você não é bem-vindo aqui.”
Depois disso tudo ficou silencioso.
E pela primeira vez aquela casa pareceu verdadeiramente minha.
Mais tarde compreendi algo sobre mim mesma.
Talvez existam invasões que não acontecem de uma vez.
Elas entram aos poucos.
Enquanto ainda não sabemos exatamente o que é nosso.
Enquanto confundimos abertura com disponibilidade.
Enquanto acreditamos que colocar limites significa deixar de amar.
Mas existem momentos em que algo muda.
Você percebe que nem tudo que entrou merece permanência.
Nem tudo que observa merece acesso.
Nem tudo que pede espaço pertence à sua casa.
E talvez amadurecer emocionalmente também seja isso.
Aprender a reorganizar os próprios limites sem precisar entrar em guerra o tempo inteiro.
E então surgiu uma pergunta.
Em que momento eu deixei de perceber o que era meu?
O que faz algumas pessoas atravessarem limites sem que percebamos?
O que acontece antes da escolha?
Antes de permitir.
Antes de justificar.
Antes de abrir espaço.
Antes de negociar aquilo que já era seu.
Foi então que percebemos, Eduardo e eu, que talvez exista um ponto invisível organizando tudo isso antes mesmo da decisão aparecer.
Nem sempre conseguimos enxergar isso enquanto estamos vivendo.
Mas isso não significa que ele não esteja conduzindo silenciosamente nossas escolhas.
Foi a partir dessa pergunta que surgiu a investigação que mudou tudo o que pensávamos que sabíamos.
Não como uma explicação sobre limites.
Mas como uma forma de olhar para aquilo que antecede nossas escolhas.
E a pergunta que norteia todo nosso trabalho é:
“O que Veio Antes da Escolha?”
Será que sua vida foi determinada por algo antes mesmo da sua escolha?
Existem duas formas de prosseguir a investigação e reorganização das suas escolhas:
Primeira maneira está no vídeo abaixo, essa investigação continua a partir da origem dessa pergunta.
A segunda maneira de prosseguir é no nosso Livro “Reorganizando o que Veio Antes da Escolha.”
O livro continua com os textos, análises e já acrescenta exercicios práticos do nosso Método para você iniciar a sua travessia e reorganização de vida.