A amiga que um dia me ensinou.
Os olhos estavam vermelhos de uma raiva descomunal.
Só então entendi que era dela que eu fugia.
Ela se aproximou.
E o ar gélido invadiu a clareira.
Eu conseguia sentir o gelo nos ossos.
Mas dessa vez não corri.
Não temi.
Apenas fiquei.
Com uma calma que eu jamais imaginei que pudesse me tomar.
“Não precisa ser assim.
Eu te admiro.
E sou grata pelo que me ensinou.
Podemos ir juntas para uma nova vida.”
Ela não respondeu nada.
Os tambores aceleraram.
Agora em uma batida frenética.
Das mãos dela saíam galhos negros com espinhos.
Eles começaram a envolver os corpos dos presentes.
Eu tentava quebrar os galhos.
Mas em determinado momento senti que não iria adiantar.
Então olhando no fundo dos olhos daquela que um dia amei…
compreendi que não haveria mudança.
Ergui uma esfera prateada ao redor do seu corpo.
Os galhos negros começaram a retornar lentamente para ela.
Finalmente ela se sentou ao chão.
Curvando-se ao próprio ódio.
E desapareceu dentro da terra.
Os tambores cessaram.
A floresta se dissolveu.
O cachorro uivou.
Mas dessa vez marcava apenas a chegada das seis da manhã no relógio da igrejinha.
Mais tarde compreendi algo.
Durante muito tempo acreditei que amar significava continuar tentando.
Continuar explicando.
Continuar esperando.
Continuar salvando.
Como se insistência fosse prova de vínculo.
Mas existem momentos em que o amor muda de forma.
Não porque deixa de existir.
Mas porque deixa de precisar carregar aquilo que pertence ao outro.
Algumas pessoas não mudam.
E a sabedoria talvez não esteja em convencê-las.
Mas em deixar com elas aquilo que é delas.
Porque existem vínculos que continuam nos perseguindo mesmo depois da distância.
Não porque o outro permanece.
Mas porque certos lugares internos continuam esperando um desfecho.
E então surgiu uma pergunta.
Por que alguns vínculos continuam vivos mesmo depois que terminam?
O que continua sustentando permanências que já acabaram?
O que aconteceu em mim para ter abandonado esse lugar de esperar as mudanças do outro?
Por que essa necessidade deixou de fazer parte de mim?
O que me fazia esperar e desejar a mudança do outro?
O que aconteceu antes dessa escolha?
Antes de insistir.
Antes de tentar salvar.
Antes de permanecer.
Antes de carregar aquilo que não é meu.
Foi então que percebemos, Eduardo e eu, que talvez exista um ponto invisível organizando tudo isso antes mesmo da decisão aparecer.
Nem sempre conseguimos enxergar isso enquanto estamos vivendo.
Mas isso não significa que ele não esteja conduzindo silenciosamente nossas escolhas.
Foi a partir dessa pergunta que surgiu a investigação que mudou tudo o que pensávamos que sabíamos.
Não como uma explicação sobre relacionamentos.
Mas como uma forma de olhar para aquilo que antecede nossas escolhas.
E a pergunta que norteia todo nosso trabalho é:
“O que Veio Antes da Escolha?”
Será que nossa vida é determinada por algo antes mesmo da nossa escolha?
Existem duas formas de prosseguir a investigação e reorganização das suas escolhas:
Primeira maneira está no vídeo abaixo, essa investigação continua a partir da origem dessa pergunta.
A segunda maneira de prosseguir é no nosso Livro “Reorganizando o que Veio Antes da Escolha.”
O livro continua com os textos, análises e já acrescenta exercicios práticos do nosso Método para você iniciar a sua travessia e reorganização de vida.