Eu sorri.
E assenti com a cabeça.
Esperei pacientemente ele retirar a grande churrasqueira.
Estranhamente eu conseguia ouvir os pensamentos dele:
“Ela é linda, embora não esteja vestida adequadamente para a ocasião.”
Esse pensamento não me incomodou.
Então olhei para baixo.
Eu estava descalça.
E, pela primeira vez, completamente confortável assim.
Eu apenas caminhava pelo jardim.
Sem precisar impressionar.
Sem precisar competir.
Sem precisar me encaixar.
A névoa reluzente foi se dissipando.
Lentamente meus olhos se abriram.
Tchaycovisky me chamava para mais um dia.
Mais tarde compreendi algo sobre mim mesma ali.
Durante muito tempo acreditei que precisava me preparar para existir.
A roupa certa.
As palavras certas.
Os comportamentos certos.
As proteções certas.
Como se, do jeito que eu era, ainda não bastasse.
Talvez por isso, em outros momentos da vida, eu estaria preocupada tentando descobrir se parecia:
bonita o suficiente.
interessante o suficiente.
aceita o suficiente.
Mas naquela noite não.
E então percebi algo.
Viver em estado constante de preparação também pode ser uma forma silenciosa de medo.
Medo do julgamento.
Da rejeição.
Do abandono.
Mas naquela noite algo havia mudado.
Não havia urgência.
Não havia inadequação.
Havia apenas presença.
E a sensação silenciosa de que finalmente eu poderia existir sem pedir licença para ser quem sou.
E então surgiu uma pergunta.
O que me fez sair dessa necessidade de adequação?
O que mudou em mim?
O que aconteceu antes da escolha?
Antes de se preparar.
Antes de tentar caber.
Antes de construir versões aceitáveis de si.
Antes de acreditar que precisa merecer existir.
Foi então que percebemos, Eduardo e eu, que talvez exista um ponto invisível organizando tudo isso antes mesmo da decisão aparecer.
Nem sempre conseguimos enxergar isso enquanto estamos vivendo.
Mas isso não significa que ele não esteja conduzindo silenciosamente nossas escolhas.
Foi a partir dessa pergunta que surgiu a investigação que mudou tudo o que pensávamos que sabíamos.
Não como uma explicação sobre comportamento.
Mas como uma forma de olhar para aquilo que antecede nossas escolhas.
Na nossa jornada, começamos a perceber que existem múltiplas causas que podem sustentar padrões que já não fazem sentido para quem nos tornamos — e ainda assim continuam organizando escolhas, relações e formas de existir.
Mapear não é apenas ter clareza.
É compreender por onde uma reorganização pode começar.
E a pergunta que surgiu é a que norteia toda a nossa pesquisa e trabalho:
O que veio antes da escolha?
Será que nossa realidade é determinada por algo antes mesmo da nossa escolha?
Existem duas formas de prosseguir a investigação e reorganização das suas escolhas:
Primeira maneira está no vídeo abaixo, essa investigação continua a partir da origem dessa pergunta.
A segunda maneira de prosseguir é no nosso Livro “Reorganizando o que Veio Antes da Escolha.”
O livro continua com os textos, análises e já acrescenta exercicios práticos do nosso Método para você iniciar a sua travessia e reorganização